Foto: Movimento Passe Livre

 

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Cinco anos depois das jornadas de junho de 2013, no Rio de Janeiro foram condenados a até 7 anos de prisão pelos crimes de associação criminosa e corrupção de menores, 23 ativistas que participaram dos protestos. A sentença foi decretada pelo Juiz Flávio Itabaiana, da 27a vara criminal.

Se você conversar com qualquer ativista Brasileiro e lhe perguntar um pouco sobre o atual desenho da conjuntura, ao lhe responder, em algum momento, ele lhe falará sobre as Jornadas de Junho de 2013.  Falará sobre isso referindo-se às multitudinárias manifestações de rua que aconteceram naquele mês e naquele ano, impulsionadas pela batalha contra o aumento das tarifas de transporte coletivo mas que ao final terminaram sendo os maiores protestos de rua desde os anos 80 neste país e exigiram não apenas a redução das tarifas mas transformaram-se num coro imenso que denunciava o quanto a vida dxs mais pobres moradores das metrópoles brasileiras havia atingido níveis de insuportabilidade que explodiram nas ruas.

Junho mudou tudo e ele ainda ronda, como um fantasma, toda a revolta que brota nesse nosso chão.

Há uma série de avaliações sobre o significado daquelas lutas e do que elas trouxeram consigo, eu, obviamente, falo desde o meu olhar, olhar de quem milita no movimento de moradia e de favelas há mais de quinze anos e não acredita em processos institucionais e nem na democracia burguesa como caminho para a mudança que precisamos nós, o povo pobre, preto, favelado, indígena, periférico e oprimido desta porção brasileira de nosso continente.

O Brasil caminhou por mais de uma década pelas veredas de certa estabilidade econômica mundial que permitiu aos governos realizar a distribuição de migalhas ou ampliar a possibilidade de consumo via ampliação do mercado de crédito e do endividamento de trabalhadores mais pobres. Anos de aparente apatia que, no entanto, ocultavam uma revolta densa e estruturante que se foi cozinhando subterraneamente em fogo lento.

A maior parte da esquerda, distanciada de uma prática de construção orgânica desde as raízes, se perdia em lamentáveis concepções superestruturais e bradava aos quatro ventos seus lindos projetos PARA os mais pobres (nunca COM os mais pobres) esperando que ao toque de sua sineta, a razão ocidental se derramasse como uma chuva de clarividência sobre o povo ignorante e o transformasse numa massa de soldados que pudessem lhes seguir, a eles e a seu projeto “revolucionário”.

Enquanto isso, nas favelas onde vivemos, embora tenhamos podido adquirir geladeiras e eletrodomésticos em geral, seguimos sendo – como povo negro – assassinados aos milhares, integrando cifras tão assustadoras como as apresentadas por países em guerra: sim, a guerra aos pobres nunca cessou no Brasil e, institucionalizada de todas as maneiras, foi mantida por todos os governantes, por ação ou omissão.

Enquanto a política nacional de habitação nos levava como gado para as baias dos bancos que até hoje devemos – porque não foi como direito e sim como mercadoria que esta política se implementou para favorecer banqueiros e empreiteiras envolvidas nos escândalos de corrupção que englobam todos os partidos no parlamento hoje – os números do feminicídio só aumentaram e os recursos para a implementação das políticas de proteção às mulheres, como a lei Maria da Penha, eram ano após ano subtraídos até sobrar apenas o discurso.

Enquanto isso, ao mesmo tempo em que acessamos pela primeira vez – nós pobres – o ensino superior, éramos parte dos cifrões que engordavam os barões do ensino privado no Brasil, porque não foi como política pública e direito que acessamos à educação universitária, foi como consumidores de uma mercadoria financiada pelos bancos a juros altíssimos.

Enquanto comprávamos carros à prestação em uma economia emergente completamente dominada pelo neoliberalismo com discurso progressista, humanizado e vermelho,  o agronegócio destruía a Amazônia, assassinava indígenas e Quilombolas, exterminando povos que só existem porque muito brava é sua resistência e vem de mais de 500 anos.

Nestas condições, o aumento real dos empregos formais era comemorado ao mesmo tempo em que trabalhadores mais pobres eram empurrados pela especulação imobiliária para os confins das metrópoles aumentando em muito o tempo de deslocamento de casa para o trabalho, em metrópoles colapsadas pelo trânsito onde, a exemplo de São Paulo os moradores das regiões periféricas da cidade gastam mais do que 3 horas para trabalhar: A Zona Leste em média 3h26 minutos, a Zona Sul em média 3h (Pesquisa de Mobilidade Urbana 2017, da Rede Nossa São Paulo).

 

EBC arquivo
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Assim, o que parecia incompreensível quando explodiu o mar de gente nas ruas em 2013 pode ser um pouco melhor contextualizado. As manifestações que tiveram seu início exigindo a redução das tarifas de transporte assumiram o lugar de um enorme movimento que canalizava a revolta com todas estas mazelas associadas a uma descrença cada vez maior no estado burguês e suas instituições.

Muito confusas foram as manifestações, é verdade. Milhões de jovens trabalhadores que nunca haviam saído às ruas participaram pela primeira vez de protestos massivos que pediam tudo, que denunciavam a todos e que não reivindicava uma liderança centralizada.

O movimento passe livre – e vários outros coletivos e movimentos que historicamente batalham pela melhoria nas condições do transporte público bem como a gratuidade do mesmo como materialização do direito à cidade –  embora fosse dos que primeiro impulso deram às manifestações iniciais, não assumiram este lugar de liderança e, no entanto, todos estes militantes foram duramente perseguidos e criminalizados.

Dezenas de ativistas que atuaram em junho de 2013, como parte de coletivos e movimentos ou apenas como ativistas independentes que se somaram à voz das ruas tiveram suas casas invadidas pela polícia, foram levados por diversas vezes à delegacias e acusados como réus de uma enorme variedade de crimes.

O crime destes ativistas é o mesmo crime de junho.

Condenar e criminalizar estes ativistas é a condenar e  criminalizar junho.

Isso porque junho continuou assombrando os poderosos nas lutas que se seguiram; com a ocupação das escolas, com a greve histórica dos garis do Rio de janeiro, com as greves inéditas há décadas, com os rolezinhos da juventude pobre e preta, com nossas lutas denunciando o absurdo dos mega-empreendimentos e mega-eventos como a Copa do mundo e suas consequências nefastas para o povo, com a denúncia das chacinas que experimentamos todos os dias em nossas comunidades ameaçadas pelos fazendeiros, pela violência policial e pelos despejos forçados.

23 ativistas foram condenados, depois de 5 anos das jornadas de junho, a penas entre 7 e 10 anos de prisão. As acusações são absurdas. Formação de quadrilha, que é como os poderoso apelidaram juridicamente qualquer forma de organização que exija direitos e questione o poder. Por assediar e corromper menores – quando um dos menores em questão é o filho adotivo de uma ativista também condenada que a acompanhava numa das manifestações. Condenados por cercear  o direito de ir e vir do ex-governador Sérgio Cabral – hoje preso por corrupção depois de quebrar o Rio de Janeiro – com uma ação que ficou conhecida como Ocupa Cabral, acampamento montado como parte de um movimento de denúncia e oposição ao então governador.

Os absurdos não param por aí mas estes exemplos são suficientes para que fique nítida a verdadeira motivação da sentença: calar o sentimento que explodiu em junho e segue vivo e, ao mesmo tempo, transmitir uma mensagem aos que seguem lutando num Brasil que não se aquieta, para intimidar-nos, para nos fazer recuar sob o peso da (in)justiça do estado e esfriar a fervura que cozinha o ódio do povo mais pobre, para que não ocorra de explodir outra vez nas ruas, arrancando – como arrancamos em junho – vitórias que vão muito além da redução da tarifa.

A maior vitória de junho – e é por isso que lutaremos pela memória daquelas lutas e de outras – foi que como povo pudemos nos ver e nos reconectar com as ruas como único caminho para as mudanças com que sonhamos e que tanto precisamos. Foi concretizar nas lutas o fato de que nenhum crescimento econômico assentado na injustiça, na opressão e na exploração podem continuar para sempre incólumes à rebeldia. Foi de perceber que mesmo as maiores ilusões – quando sentadas nas cadeiras do poder – se esfarelam diante da necessidade que carregamos ao longo dos séculos: necessidade de viver e não apenas sobreviver, necessidade de ser felizes e usufruir um pouco da riqueza que produzimos, de participar com nossas mãos na construção do desenho de mundo em que vivemos e onde viverão nossos filhos e nossas idéias.

 

Com junho e por junho repudiamos esta condenação.

Com junho e por junho, nós vamos seguir em luta.

Outros junhos virão, outras manhãs plenas de sol e de luz.

 

EL JUNIO QUE NO TERMINÓ Y LA ESPERANZA CONDENADA A SIETE AÑOS DE CÁRCEL

 

Foto: Movimento Passe Livre
Foto: Movimento Passe Livre

 

Cinco años después de las jornadas de junio de 2013, en Río de Janeiro fueron condenados a hasta 7 años de prisión por los delitos de asociación criminal y corrupción de menores, 23 activistas que participaron en las protestas. La sentencia fue decretada por el juez Flávio Itabaiana, de la 27a vara criminal.

Si usted conversa con cualquier activista brasileño y le pregunta un poco sobre el actual diseño de la coyuntura, al responderle, en algún momento, él le hablará sobre las Jornadas de Junio ​​de 2013. Hablará sobre eso refiriéndose a las multitudinarias manifestaciones callejeras que pasaran en aquel mes y en aquel año, impulsadas por la batalla contra el aumento de las tarifas de transporte colectivo pero que al final terminaron siendo las mayores protestas callejeras desde los años 80 en este país y exigieron no sólo la reducción de las tarifas pero se transformaron en un coro inmenso que denunciaba cuánto la vida de los más pobres habitantes de las metrópolis brasileñas había alcanzado niveles de insoportabilidad que estallaron en las calles.

Junio ​​cambió todo y él todavía ronda, como un fantasma, toda la revuelta que brota en nuestro suelo.

Hay una serie de evaluaciones sobre el significado de esas luchas y de lo que trajeron consigo, yo, obviamente, hablo desde mi mirada, mirada de quien milita en el movimiento de vivienda y de favelas hace más de quince años y no cree en procesos institucionales y ni en la democracia burguesa como camino para el cambio que necesitamos nosotros, el pueblo pobre, negro, favelado, indígena, periférico y oprimido de esta porción brasileña de nuestro continente.

Brasil caminó por más de una década por las veredas de cierta estabilidad económica mundial que permitió a los gobiernos realizar la distribución de migajas o ampliar la posibilidad de consumo vía ampliación del mercado de crédito y del endeudamiento de trabajadores más pobres. Años de aparente apatía que, sin embargo, ocultaban una revuelta densa y estructurante que se fue cocinando subterráneamente a fuego lento.

La mayor parte de la izquierda, distanciada de una práctica de construcción orgánica desde las raíces, se perdía en lamentables concepciones superestructurales y gruñía a los cuatro vientos sus lindos proyectos para los más pobres (nunca con los más pobres) esperando que al toque de su campana, la razón occidental se derramaba como una lluvia de clarividencia sobre el pueblo ignorante y lo transformase en una masa de soldados que pudieran seguirles, a ellos ya su proyecto “revolucionario”.

Mientras tanto, en las favelas donde vivimos, aunque hemos podido adquirir heladeras y electrodomésticos en general, seguimos siendo -como pueblo negro- asesinados a los miles, integrando cifras tan espeluznantes como las presentadas por países en guerra: sí, la guerra a los pobres nunca cesó Brasil y, institucionalizada de todas las maneras, fue mantenida por todos los gobernantes, por acción u omisión.

Mientras la política nacional de vivienda nos llevaba como ganado a las bahías de los bancos que hasta hoy debemos – porque no fue como derecho sino como mercancía que esta política se implementó para favorecer a banqueros y contratistas involucrados en los escándalos de corrupción que engloban a todos los partidos en el parlamento hoy – los números del feminicidio sólo aumentaron y los recursos para la implementación de las políticas de protección a las mujeres, como la ley Maria da Penha, eran año tras año sustraídos hasta que sólo quedaba el discurso.

Mientras tanto, al mismo tiempo que accedemos por primera vez – nosotros pobres – la enseñanza superior, éramos parte de los billetes que engordaban a los barones de la enseñanza privada en Brasil, porque no fue como política pública y derecho que accedemos a la educación universitaria, fue como consumidores de una mercancía financiada por los bancos a intereses altísimos.

Mientras compramos coches a la prestación en una economía emergente completamente dominada por el neoliberalismo con discurso progresista, humanizado y rojo, el agronegocio destruía la Amazonia, asesinaba a indígenas y Quilombolas, exterminando a pueblos que sólo existen porque muy brava es su resistencia y viene de más de 500 años .

En estas condiciones, el aumento real de los empleos formales se conmemoraba al mismo tiempo en que trabajadores más pobres eran empujados por la especulación inmobiliaria hacia los confines de las metrópolis aumentando en mucho el tiempo de desplazamiento de casa hacia el trabajo, en metrópolis colapsadas por el tránsito donde, En el caso de São Paulo, los habitantes de las regiones periféricas de la ciudad gastan más de 3 horas para trabajar: La Zona Este en promedio 3h26 minutos, la Zona Sur en promedio 3h (Investigación de Movilidad Urbana 2017, de la Red Nossa São Paulo).

 

EBC arquivo
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Así, lo que parecía incomprensible cuando explotó el mar de gente en las calles en 2013 puede ser un poco mejor contextualizado. Las manifestaciones que tuvieron su inicio exigiendo la reducción de las tarifas de transporte asumieron el lugar de un enorme movimiento que canalizaba la revuelta con todas estas molestias asociadas a una incredulidad cada vez mayor en el estado burgués y sus instituciones.

Muy confusas fueron las manifestaciones, es verdad. Millones de jóvenes trabajadores que nunca habían salido a las calles participaron por primera vez de protestas masivas que pedían todo, que denunciaban a todos y que no reclamaba un liderazgo centralizado.

El movimiento pasa libre -y varios otros colectivos y movimientos que históricamente batallan por la mejora en las condiciones del transporte público, así como la gratuidad del mismo como materialización del derecho a la ciudad -a pesar de los que el primer impulso dio a las manifestaciones iniciales, no asumieron este lugar liderazgo y, sin embargo, todos estos militantes fueron duramente perseguidos y criminalizados.

Decenas de activistas que actuaron en junio de 2013, como parte de colectivos y movimientos o apenas como activistas independientes que se sumaron a la voz de las calles tuvieron sus casas invadidas por la policía, fueron llevados en varias ocasiones a las comisarías y acusados ​​como reos de una enorme variedad de crímenes.

El crimen de estos activistas es el mismo crimen de junio.

Condenar y criminalizar a estos activistas es condenar y criminalizar junio.

Eso porque junio continuó asombrando a los poderosos en las luchas que siguieron; con la ocupación de las escuelas, con la huelga histórica de los garis de Río de Janeiro, con las huelgas inéditas hace décadas, con los rodillos de la juventud pobre y negra, con nuestras luchas denunciando el absurdo de los mega-emprendimientos y mega-eventos como la Copa del mundo y sus consecuencias nefastas para el pueblo, con la denuncia de las matanzas que experimentamos todos los días en nuestras comunidades amenazadas por los granjeros, la violencia policial y los desalojos forzados.

23 activistas fueron condenados, después de cinco años de las jornadas de junio, a penas entre 7 y 10 años de prisión. Las acusaciones son absurdas. La formación de cuadrilla, que es como los poderosos apodaron jurídicamente cualquier forma de organización que exija derechos y cuestione el poder. Por asediar y corromper menores – cuando uno de los menores en cuestión es el hijo adoptivo de una activista también condenada que la acompañaba en una de las manifestaciones. Condenados por cercenar el derecho de ir y venir del ex gobernador Sérgio Cabral – hoy preso por corrupción tras romperse en Río de Janeiro – con una acción que se conoció como Ocupa Cabral, un campamento montado como parte de un movimiento de denuncia y oposición al gobierno entonces gobernador.

Los absurdos no paran por ahí, pero estos ejemplos son suficientes para que quede clara la verdadera motivación de la sentencia: callar el sentimiento que estalló en junio y sigue vivo y, al mismo tiempo, transmitir un mensaje a los que siguen luchando en un Brasil que no se aquieta para intimidarnos, para hacernos retroceder bajo el peso de la justicia del estado y enfriar la ebullición que cocina el odio del pueblo más pobre, para que no ocurra de explotar otra vez en las calles, arrancando – cómo arrancamos en junio – victorias que van mucho más allá de la reducción de la tarifa.

La mayor victoria de junio -y es por eso que luchar por la memoria de esas luchas y de otras- fue que como pueblo pudimos vernos y reconectarse con las calles como único camino para los cambios con que soñamos y que tanto necesitamos. Se concretó en las luchas el hecho de que ningún crecimiento económico asentado en la injusticia, en la opresión y en la explotación pueden continuar para siempre incólumes a la rebeldía. Fue de percibir que incluso las mayores ilusiones -cuando sentadas en las sillas del poder- se deshacen ante la necesidad que llevamos a lo largo de los siglos: necesidad de vivir y no sólo sobrevivir, necesidad de ser felices y gozar de un poco de la riqueza que producimos, participar con nuestras manos en la construcción del diseño del mundo en que vivimos y donde vivir nuestros hijos y nuestras ideas.

 

Con junio y por junio repudiamos esta condena.

Con junio y junio, vamos a seguir en lucha.

Otros junios vendrán, otras mañanas plenas de sol y de luz.

 

Militante de las luchas por el territorio en las periferias de Brasil, y sobre todo, São Paulo. Escribe, canta, toca, baila y habla más de lo que debería. Comunista libertaria, feminista afro-indígena y favelada.

Militante das lutas do território nas periferias do Brasil e mais que tudo em São Paulo. Escreve, canta, toca, dança e fala mais do que deveria. Comunista libertária, feminista afro-indígena e favelada.

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