Imagem: Pilar Emitzin.

 

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O que vimos nas ruas do Brasil em septembro e outubro é um novo modo do poder político. O corpo das mulheres enfrentando o medo que querem impor às sociedades, e dizendo que não queremos mais ser tuteladas, invisibilizadas, ameaçadas e assassinadas. Uma nova forma de construir democracia nas ruas, apesar das vetustas instituições da política onde as mulheres não ultrapassam 10% de presença nos parlamentos corrompidos pelo poder patriarcal, deslegitimados pelas práticas corruptas e por uma política que só se legitima como expressão da hierarquia de dominação.

Mas por que não temos medo?, porque logramos a incorporação sensível dos corpos quando se sabem acompanhados no espaço comum, o “acorpamento” do qual falam as companheiras latinas quando saem as ruas. O comum, uma prática e construção antiga das mulheres, de antes das bruxas, vinda da experiência comunitária, amassada junto com os cantos coletivos das trabalhadoras, mas ainda latentes nos modos de fazer das quebradeiras de coco babaçu e outras no Brasil. E as mulheres podemos fazê-lo porque, recuperando nossa memória arcaica, não precisamos reproduzir o pertencimento a nenhuma institucionalidade da guerra e da violência.   

Aqui está-se engendrando uma nova forma do “fazer político”, desde as redes sociais às ruas, as mulheres nos mostramos como uma força horizontal, como um desejo solidário para com a sociedade, com total despudor na exibição das diversidades, e com alegria contagiante: Uma forma que rompe o medo!

A presença de milhares de mulheres nas ruas das cidades do país, exibindo a rejeição da sociedade ao fascismo, foi a forma de um fazer político transbordante dos canais institucionais, das maneiras engessadas do disciplinamento que há séculos nos impõem. O fascismo como a expressão mais acabada do individualismo, da negação do outro como diferença, do rebaixamento e invisibilização do diverso, da naturalização da violência contra as mulheres, da domesticação dos corpos das mulheres, dos negros e negras, da diversidade sexual, dos e das migrantes, e dos empobrecidos por um poder econômico patriarcal cada vez mais concentrador das riquezas produzidas por toda a sociedade.

As elites não podem impor o brutal modelo de exploração, desemprego massivo, precarização da vida, despossessão e espoliação dos territórios rurais e urbanos sem usar da violência, da truculência, sem a criminalização dos mais pobres. A política de combate às drogas se tornando o álibi para o genocídio dos jovens negros das periferias urbanas. A militarização das cidades como o modo de viver em medo. O fascismo como resultado desse processo de clivar as sociedades pelo ódio e a violência.

Mas o fascismo também é o resultado da sofisticação, cada dia maior, das formas de controle social e dos territórios, e da modulação das subjetividades, a partir das religiões de mercado, do consumo, do senso comum da dupla moral, do manejo das vontades e desejos mais íntimos, da exploração de corações e mentes…

Por isso as mulheres, a partir de um longo processo de libertação que já dura vários séculos, estamos enfrentando o fascismo com formas não violentas de expressão, de valorização das diversidades, de respeito aos corpos e suas sexualidades, de insubmissão aos padrões estéticos, de cuidado com a vida cotidiana, ou seja simplesmente, de enxergar o outro.

Nós, que desde o feminismo temos sido capazes de construir outros territórios domésticos de valorização do trabalho invisível das mulheres, de denunciar e combater – irmanadas – as violências que sofremos no cotidiano, que saímos a construir a igualdade no vasto campo do trabalho e dos estudos, que estamos fazendo a revolução mais triunfante do último século, agora tomamos as ruas para enfrentar o fascismo pela sua raiz de ódio e dominação patriarcal,  racista e de classe. E o fazemos a partir de uma prática de politização feminista, das greves internacionais nos últimos 8 de Março, que abrem novos entendimentos sobre o conceito do trabalho, a partir do direito à escolha para nossas sexualidades, da nossa liberdade para ter ou não filhos, de viver a maternidade como um ato político e de composição de afetos e relações, de caminhar para uma divisão sexual do trabalho igualitária, da força  do agir coletivo nas ruas que tomamos, e que agora não queremos mais abandonar; do desejo, enfim, de construir um mundo de iguais e amorosamente diversos…

Expressamos o político reinventado, descolonizado, libertado em sua potência de expressão do desejo de igualdade, solidariedade e paz. Frente à pulsão de morte, e à espetacularização da violência que exacerba o fascismo, opomos essa potência que surge da necessidade de inventar outras práticas, outros saberes e outros mundos. Criar diálogos, vínculos, argumentações politizando a vida no seu sentido social, cooperativo e amoroso é a forma de fugir das ansiedades, angústias e do sofrimento psíquico a que nos condena o frenesi capitalista.

O movimento das mulheres faz visível a “pedagogia da crueldade” 1) Da qual nos fala Rita Segato que impõe o fascismo, expondo os corpos em luta como um modo de vida sem medo. E isso é o sensível, que toca as emoções e que tanto incomoda ao poder, porque vai direto ao corpo e à alma do ser.

As nossas práticas, nossas roupas, consignas, cores, danças e a nossa alegria pintam o ar de forma diferente para desafiar o ódio, e para permitir re-apropriar-nos das sensibilidades.  

Como diz o sociólogo Franco Berardi, “a felicidade é subversiva quando ela devém coletiva”: em muitas cidades do Brasil e do mundo, fomos subversivamente felizes…

 

EL PODER POLÍTICO DE LAS MUJERES

 

Imagem: Pilar Emitzin.
Imagen: Pilar Emitzin.

 

Lo que vimos en las manifestaciones de mujeres en septiembre y octubre en las calles de Brasil es una nueva forma de poder político. El cuerpo de las mujeres enfrentando el miedo que las élites quieren imponer a las sociedades, y diciendo que no queremos ser tuteladas, invisibilizadas, amenazadas y asesinadas. Una nueva forma de construcción de democracia en las calles, a pesar de las vetustas instituciones políticas donde las mujeres no superan el 10% de presencia en los parlamentos corrompidos por el poder patriarcal, deslegitimados por prácticas corruptas y por una política que sólo se legitima como expresión de la jerarquía de dominación.

Pero, ¿por qué no tenemos miedo?, porque conseguimos la incorporación sensible de los cuerpos cuando se saben acompañados en el espacio común, el “acuerpamiento” del cual hablan las compañeras latinas cuando salen a las calles. Lo común, una práctica y construcción antigua de las mujeres, desde antes de las brujas, que viene de la experiencia comunitaria, amasada junto con los cantos colectivos de las trabajadoras, pero aun latente en los modos de vida de las ‘quebradoras’ de coco de ‘babazú’ [las mujeres que extraen el aceite de ese tipo de coco] y otras en Brasil. Y las mujeres pueden hacerlo porque, recuperando nuestra memoria arcaica, no precisamos reproducir la pertenencia a cualquier institucionalidad de la guerra y la violencia.

Aquí está engendrándose una nueva forma del “hacer político”, desde las redes sociales a las calles, las mujeres nos mostramos como una fuerza horizontal, como un deseo solidario para con la sociedad, con total falta de pudor en la exhibición de las diversidades, y con alegría contagiosa: ¡Una forma que rompe el miedo!

La presencia de miles de mujeres en las calles de las ciudades del país, exhibiendo el rechazo de la sociedad al fascismo, fue una forma de un hacer político transbordante de  los canales institucionales, de las maneras enyesadas de la disciplina que hace siglos nos imponen. El fascismo como la expresión mas acabada del individualismo, de la negación del otro como diferente, del rebajamiento e invisibilización de lo diverso, de la naturalización de la violencia contra las mujeres, de domesticación  de los cuerpos de las mujeres, de los negros y negras, de la diversidad sexual, de los y las inmigrantes, y de los empobrecidos por un poder económico patriarcal que concentra cada vez más las riquezas producidas por toda la sociedad.

Pero el  fascismo también es el resultado de la sofisticación, cada día mayor, de las formas de control de la sociedad y del territorio, y la modulación de las subjetividades, a partir de las “religiones de mercado”, del consumo, , del sentido común de la doble moral, del manejo de las voluntades  y deseos más íntimos, de explotación de corazones y mentes …

Por eso las mujeres, a partir de un largo proceso de liberación que ya dura varios siglos, estamos enfrentando el fascismo con formas no violentas de expresión, de valorización de las diversidades, de respeto a los cuerpos y sus sexualidades, de insumisión respecto de los patrones estéticos, de cuidado con la vida cotidiana, o sea simplemente, de percibir  al otro.

Nosotras, que desde el feminismo hemos sido capaces de construir más allá de los territorios domésticos de valorización del trabajo invisible de las mujeres, de denunciar y combatir – hermanadas – las violencias que sufrimos cotidianamente, que salimos a construir la igualdad en el vasto campo del trabajo y de los estudios, que estamos haciendo la revolución más triunfante del último siglo, ahora tomamos las calles para enfrentar el fascismo por su raíz de odio y dominación patriarcal, racista y de clase. Y lo hacemos a partir de la práctica de politización feminista, de las huelgas internacionales que impulsamos los últimos 8 de marzo, que abren nuevos entendimientos sobre el concepto del trabajo, a partir del derecho a la propia elección para nuestras sexualidades, de nuestra libertad para tener o no tener hijos, de vivir la maternidad como un acto político y de composición de afectos y relaciones, de caminar hacia una división sexual del trabajo igualitario, de la fuerza del actuar colectivo en las calles que tomamos, y que ahora ya no queremos abandonar; del deseo, en fin, de construir un mundo de iguales  y amorosamente diverses …

Expresamos lo político reinventado, descolonizado, libertado en su potencia de expresión del deseo de igualdad, solidaridad y paz. Frente a la pulsión de muerte, y a la espectacularización de la violencia que exacerba el fascismo, oponemos esa potencia que surge de la necesidad de inventar otras prácticas, otros saberes y otros mundos. Y así continuaremos enfrentando el fascismo que crece no sólo en las Américas como en todo el mundo.

Crear diálogos, vínculos, argumentaciones politizando la vida en su sentido social, cooperativo y amoroso es la forma de huir de las ansiedades, angustias y del sufrimiento psíquico al que nos condena el frenesí  capitalista. El movimiento de las mujeres hace visible la “pedagogía de la crueldad”2) De la que nos habla Rita Segato que impone el fascismo, exponiendo los cuerpos en lucha como un modo de vida sin miedo. Y eso es lo sensible, que toca las emociones y que tanto incomoda al poder, porque va directo al cuerpo y al alma del ser.

Nuestras prácticas, nuestras ropas, consignas, colores, danzas y nuestra alegría pintan el aire de forma diferente para desafiar el odio, y para permitir re-apropiarnos de las sensibilidades.

Como dice el filosofo Franco Berardi, “la felicidad es subversiva cuando  deviene colectiva”: así en muchas ciudades de Brasil y del mundo, fuimos subversivamente felices …

 

Graciela RodríguezMaster en Sociología y feminista. Coordinadora del Instituto EQUIT (Género, Economía y Ciudadanía Global), ONG feminista brasileña. Coordinadora de la Red Internacional de Género y Comercio y miembro de la Red Brasilera por la Integración de los Pueblos.

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Notas   [ + ]

1. Da qual nos fala Rita Segato
2. De la que nos habla Rita Segato

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