Ir al artículo en español

A questão das mulheres é fundamental para determinar a maneira como enxergamos e entendemos a luta da moradia e as lutas na cidade. Por isso quero dividir um pouco desse olhar, construído a partir das experiências da militância no movimento Luta Popular (Brasil).

O Luta Popular é um movimento que organiza entre os “de baixo” lutas no território, construindo ocupações, resistindo contra despejos, fazendo lutas nos bairros (por creche, saneamento, contra a violência da polícia, por cultura, etc.) e em torno de várias necessidades que o povo tem para sobreviver e para se expressar. Mas nosso objetivo não é só conseguir melhorias, é justamente na luta por melhorias dividir a possibilidade de percebermos juntos, e em movimento, que a vida melhor que queremos só vai ser possível revolucionando o sistema em que vivemos, e a partir daí, construir pequenas mas potentes experiências que apontem esse sentido de transformação radical das coisas tal como elas são hoje.

Uma das experiências mais significativas que tivemos com relação a questão das mulheres, que potencializou nossa convicção de mudar o mundo, foi na Ocupação Esperança em Osasco, onde, desde o segundo mês de ocupação, em setembro de 2013, começamos a reunir e organizar a mulherada e expandir os horizontes da nossa luta. Um pouco dessa história encontra-se registrada no vídeo “Mulheres da Esperança” 

 

 

1.

O sistema – o capitalismo – vive da exploração do nosso trabalho, que serve para gerar riquezas que são acumuladas por uma minoria. O que eles dão de volta para nós é o muito pouco que a gente ganha trabalhando muito, e que não dá para pagar um aluguel e ao mesmo tempo vestir, comer, cuidar da saúde, pagar passagem e cobrir todas nossas necessidades. A moradia é mais uma das várias coisas que precisamos para viver que são tratadas como mercadoria, e por isso só é acessível para quem possa comprar. Assim, ocupar se torna uma necessidade para muitas trabalhadoras e trabalhadores e cotidianamente o sistema empurra as mulheres à luta.

Vivemos numa sociedade que diz que o espaço da casa é responsabilidade das mulheres, e que chama de amor o nosso trabalho doméstico não pago. Esse peso é tão grande que faz com que a dificuldade de participação política das mulheres na luta pela moradia seja menor e que elas sejam uma força muito grande e muito evidente nesses movimentos. Seja assumindo dentro da família a responsabilidade (ou o “dever”) por puxar essa luta, seja sendo mães solteiras que tem de criar com muita dificuldade seus filhos sós, seja fazendo a luta em nome de seus filhos, fato é que as mulheres são a maioria dentro daqueles que se organizam para lutar por um teto, e costumam ser especialmente atuantes.

Nas ocupações, de modo geral, as mulheres assumem os trabalhos das cozinhas coletivas, dos mutirões de limpeza, das atividades para as crianças, são as que “seguram” a ocupação quando os companheiros saem para trabalhar, enquanto os homens normalmente assumem os trabalhos de infraestrutura, segurança, resolução de conflitos, etc. Contudo, nem sempre as mulheres são vistas com a mesma importância que os homens. E isso é muito difícil de “quebrar”, porque é o jeito que as coisas funcionam nessa sociedade que vivemos, que é fundada no machismo, onde o trabalho doméstico é socialmente e impositivamente feminino e desvalorizado. Por isso, quando uma companheira entra na ocupação e vai ajudar em alguma tarefa coletiva ela “automaticamente” se propõe a ajudar nessas tarefas de cuidado com os outros, limpeza, alimentação, etc. que são considerados “lugar de mulher”.

Imagenes Movimiento Luta Popular - Brasil
Imagenes Movimiento Luta Popular – Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2.

O capitalismo arranca do nosso tempo de trabalho, do nosso couro e do nosso suor, o lucro que faz a engrenagem dessa sociedade funcionar. Mas não é só no trabalho que somos explorados. O capitalismo nos explora em todas as dimensões da nossa vida, em todos espaços onde passamos o tempo fora do serviço. Ele faz isso tomando territórios onde vivemos de forma violenta, precarizado a saúde, nos humilhando nas filas de espera (do exame, da consulta, da casa própria, da vaga na escola), destruindo a educação, matando nossa juventude através da violência das polícias e milícias, nos encarcerando em massa, no assédio que sofremos nas ruas, nos ônibus e vagões em que andamos apertados que nem sardinha, nos deixando sem perspectivas, nos fazendo perder tudo em enchentes e incêndios que surgem falta da concentração privada de terras e da criminosa e ausente infraestrutura dos bairros, nos sufocando com as mentiras de uma vida que não temos o direito de viver, enfim… nos atacando em tudo aquilo que é o entorno da nossa casa. E não é difícil verificar que as mulheres são a maioria na resistência a esses ataques: no enfrentamento a despejos, na luta por creches ou por saúde nos bairros, nas lutas por justiça, memória e pelo direito a enterrar seus mortos, nas associações de amigos e familiares de presos e presas…

O capitalismo ataca justamente nos lugares que ele diz ser das mulheres – nossa casa e o entorno da nossa casa – e por isso torna as mulheres agentes de combate contra esse ele mesmo! E, se olharmos por detrás das cortinas da “história dos vencedores” (da versão da história “oficial” escrita pelo homem, branco, burguês, colonizador/imperialista), veremos que desde a escravidão até os dias de hoje, as mulheres lutam – E MUITO! – cotidianamente contra a exploração e a opressão!

Nossa responsabilidade diante desse fato é fazer com que esse debate alcance quem mais precisa dele: aquelas mulheres que ainda não conseguem elaborar sobre o que vivem e sobre as lutas que fazem, mas vivem essa realidade e a enfrentam, com as poucas ferramentas que possuem, todos os dias. Nosso desafio é trazer as mulheres que já lutam para dirigir essas lutas e se perceberem capazes de tocar qualquer tarefa (não apenas ou necessariamente as de cozinha/limpeza/organização/cuidado), mas principalmente a tarefa de lutar para transformar esse mundo!

 

3.

Na Ocupação Esperança o Luta Popular tentou, desde o início do processo de organização das famílias construir esse debate com aquelas e aqueles interessados em levar adiante a luta por moradia e de disputa do território.  Buscamos enfrentar o desafio de romper com essa ideia de que existem atribuições exclusivamente para os homens e atribuições exclusivas para as mulheres dentro da ocupação, e com a ideia de que existem tarefas mais importantes (a dos homens) do que outras (as das mulheres). Tentamos desenvolver de forma fraterna, porém firme, um diálogo sobre o tema do machismo, do combate à violência, do respeito às mulheres, que acompanhasse os passos de nossa luta. Isso porquê, se passamos noites fazendo vigília sentindo o mesmo frio, se quando somos ameaçados sofremos a mesma ameaça, se quando apanhamos da polícia nas manifestações apanhamos juntos, se quando compartilhamos as esperanças estamos irmanados no nosso sonho de mudar nossas vidas, porque deveria existir diferença entre nós? Porque seria justo que mulheres se sentissem inseguras, desrespeitadas, diminuídas ou invisibilizadas na luta? Como poderíamos aceitar a opressão entre nós, se nossa luta é contra as opressões que o sistema impõe sobre o conjunto dos nossos?

Começamos esse trabalho na boca do fogão, de dentro das cozinhas coletivas, onde se concentravam muitas mulheres na tarefa de alimentar todos que estavam no combate. Assim, começamos a fazer isso a partir das mulheres e com as mulheres, para que pudéssemos pensar juntas como avançar na nossa perspectiva de fortalecer e envolver a mulherada para, de forma auto-organizada, para se colocar em pé de igualdade com os homens nessa luta que estávamos construindo.

Imagenes Movimiento Luta Popular - Brasil
Imagenes Movimiento Luta Popular – Brasil

 

4.

Na ocupação Esperança, tudo é decidido coletivamente em assembleias, e o que é definido democraticamente pela maioria é feito por todos e responsabilidade de todos. Tudo que construímos foi feito junto, em mutirão de trabalho comum. E juntos fomos capazes, sem dinheiro, nem estruturas, nem rabo preso com nenhum político, de construir um bairro onde quem decidiu onde iam passar as ruas, onde iam ser as praças, como ia ser o sistema de energia, de esgoto e de água, as regras coletivas, como resolver os conflitos, foi o povo.

Nesse processo as mulheres puderam perceber que, se somos capazes de enfrentar uma luta por moradia (passando frio, sono, medo, condições precárias, e torrando em baixo do sol em passeatas), se somos capazes de organizar uma cozinha e alimentar mil famílias (sendo que antes da ocupação existia a dúvida de conseguir alimentar alguns filhos), e se ao longo desses anos, fomos capazes, juntos, de organizar um bairro onde quem governa é o povo em luta, porque não podemos organizar e governar a cidade, o país e até o mundo?

Na batalha para tentar arrancar – na marra! – a satisfação de nossas necessidades que nos é negada todo dia, aprendemos que nossa organização é nossa força, e que a vida melhor que buscamos só será possível com a união dos de baixo contra o poder e exploração dos de cima. Conseguimos acessar mais coisas por meio da luta direta e da auto-organização do que aquilo que é oferecido (não oferecido) para nós nos bairros das periferias de onde viemos, e hoje conseguimos viver melhor do que é lá fora. Temos acesso a cultura (aulas de teatro e dança, aulas de espanhol, cinema, saraus, apresentações de artistas da comunidade, atividades culturais e nosso próprio bloco de samba); aprendemos a fazer medições, noções de construção civil e arquitetura, e a projetar mapas; ostentamos o fato de nunca houve um assassinato na comunidade e isso aconteceu sem que ninguém tivesse que oprimir ninguém; e esse ano completaremos 5 anos da conquista desse bairro que todo mundo sabe que é seu – porque o trabalho de suas mãos e a sua opinião e tomada de decisão e está grudado em tudo que foi construído – e que todo mundo chama de “nosso”, no verdadeiro sentido do que é a apropriação coletiva do território por parte dos trabalhadores e trabalhadores que ali vivem.

Queremos mostrar, para quem não teve a oportunidade de experimentar, que isso é possível, e queremos que isso se replique nas ocupações, nos bairros, nas fábricas, nas escolas, nos hospitais, no sistema de transporte e em todo canto. Queremos que cada espaço seja organizado e governado por aqueles que nele vivem, trabalham, ou o utilizam para reproduzir suas vidas.

Sem as mulheres essa revolução não será possível!

Assim, na luta pela moradia, nas assembleias, passeatas, manifestações, aprendemos que nós, mulheres, podemos ir muito além do que o lugar que o sistema quer impor para nós, nos restringindo. Nosso lugar é nas lutas, lado a lado com nossos companheiros.

Com a luta das mulheres foi toda a comunidade que ganhou, foi nossa luta – em sua totalidade – que se fortaleceu. Por isso, “ganhar” os homens (que também são explorados e oprimidos pelo sistema) para a luta das mulheres é fundamental! É preciso que eles compreendam que a luta das mulheres da sua classe é uma luta deles também. A libertação das mulheres tem que caminhar junto com a luta pela libertação do nosso povo.

 

5.

Por isso, a questão das mulheres para nós é uma questão radical, porque precisamos – e com urgência! – transformar de forma revolucionária este mundo.

Pra quem nunca foi considerada sexo frágil, porque desde a escravidão até os dias de hoje é explorada fazendo trabalhos muito duros e penosos; pra quem nunca se encaixou na beleza padrão por ser preta, crespa, indígena e tudo isso misturado; pra quem recebe menos que os homens e que as mulheres brancas e está nos trabalhos mais precarizados; pra quem tem a vida de seus filhos arrancados pelo Estado genocida; pra quem o direito à saúde é fazer pré-natal sem nem ser tocada direito, pelo fato de ser negra; pra quem é vendida “lá fora” como objeto sexual e tem o estupro como um medo cotidiano; pra quem cria seus filhos sozinha, trabalhando dentro e fora de casa, fazendo o estudo ser algo muito mais distante do que pros outros; pra quem morre mais e sofre mais a violência; pra quem deixa de comer pra dar de comer a seus filhos, porque o pouco que se tem não dá pra alimentar todas as bocas; pra quem, do dia pra noite, perde tudo que construiu ao longo de sua vida em despejos violentos ou incêndios criminosos…. enfim…. Para as mulheres trabalhadoras e pobres é impossível ser mulher sem carregar um tanto de ódio acumulado por toda a humilhação e dor que o sistema faz a gente passar.

Por isso precisamos dessa revolução!

 

 

Não queremos que reduzam nosso ódio acumulado e tentem falar que a questão das mulheres e do problema da moradia e das cidades se limita a pôr o nome da mulher no título da casa ou aumentar o tamanho da cozinha e do lugar onde põe o tanque nos projetos habitacionais!

É possível ir muito mais adiante e sabemos que isso é necessário e é possível!

A luta das mulheres é inseparável da luta para alcançar todas as transformações que a nossa classe precisa, destruindo esse sistema que serve para um punhadinho de privilegiados, esmagando a grande maioria que vive no sufoco. Por isso, é preciso unir os homens e mulheres da nossa classe para organizar os de baixo para derrubar os de cima!

 

 

NOTAS SOBRE LA LUCHA DE LA MUJERES POR LA VIVIENDA,  LA CIUDAD Y PARA CAMBIAR EL MUNDO!

 

Imagenes <em>Movimiento Luta Popular - Brasil</em>
Imagenes Movimiento Luta Popular – Brasil

 

La cuestión de las mujeres es fundamental para determinar la manera como percibimos y entendemos la lucha por la vivienda y las luchas en la ciudad. Por eso quiero compartir esta forma de mirar, construida a partir de las experiencias de militancia en el movimiento Luta Popular  (Lucha Popular, Brasil).

 

Luta Popular es un movimiento que organiza, entre los de abajo,  luchas por el territorio: construyendo ocupaciones, resistiendo contra desalojos, luchas en los barrios (por guarderías, saneamiento básico, contra la violencia de la policía, por cultura, etc.) y alrededor de las diferentes necesidades que el pueblo tiene para sobrevivir e para expresarse. Pero nuestro objetivo no es solo conseguir mejoras, justamente, en estas  luchas por mejoras, surge la posibilidad de percibirnos juntos y en movimiento, y nos damos cuenta que la vida mejor que queremos sólo va a ser posible revolucionando el sistema en el que vivimos, y a partir de ahí, construyendo pequeñas pero potentes experiencias que apunten hacia ese sentido de transformación radical de las cosas tal y cual son hoy.

 

Una de las experiencias más significativas que tuvimos con relación a la cuestión de las mujeres, que potencializó nuestra convicción de cambiar el mundo, fue en la Ocupação Esperança (Ocupación Esperanza) en Osasco (Municipio del Estado de São Paulo). Desde el segundo mes de ocupación, en septiembre de 2013, comenzamos a reunir y organizar a la mujereada y a expandir los horizontes de nuestra lucha. Un poco de esta historia se encuentra registrada en el video “Mulheres da Esperança” (Mujeres de la Esperanza) 

 

 

1.

El sistema – el capitalismo – vive de la explotación de nuestro trabajo para generar las riquezas que son acumuladas por una minoría. Lo que ellos nos devuelven,  es lo poquito que ganamos trabajando mucho, y que no alcanza para pagar la renta y al mismo tiempo vestir, comer, cuidar de la salud, pagar transporte y cubrir nuestras necesidades. La vivienda es una de las diferentes cosas que precisamos para vivir y que son tratadas como mercancías, y por eso sólo es accesible para quien puede comprar. Así, ocupar espacios se vuelve una necesidad para muchas trabajadoras y trabajadores y cotidianamente el sistema empuja a las mujeres a la lucha.

 

Vivimos en una ciudad según la cual el espacio de la casa es responsabilidad de las mujeres y en donde se llama de amor a nuestro trabajo doméstico no remunerado. Ese peso, del espacio de la casa, es tan grande que hace que la dificultad de participación política de las mujeres sea menor en la lucha por la vivienda y, en consecuencia, que ellas sean una fuerza muy grande y muy evidente en esos movimientos. Ya sea asumido dentro de la familia la responsabilidad (o el “deber”) de impulsar esa lucha, siendo madres solteras que tienen que criar solas con mucha dificultad a sus hijos o  haciendo la lucha en nombre de sus hijos. El hecho es que las mujeres son la mayoría dentro de aquellos que se organizan para luchar por un techo y acostumbran ser especialmente activas.

 

En las ocupaciones, en general, las mujeres asumen los trabajos en las cocinas colectivas, en los maratones colectivos de limpieza y en las actividades para los niños; son las que aseguran la ocupación cuando los compañeros salen a trabajar.  Mientras los hombres normalmente asumen los trabajos de infraestructura, seguridad, resolución de conflictos, etc. Sin embargo, no siempre las mujeres son consideradas con la misma importancia que los hombres. Y eso es muy difícil de “romper”, porque es la forma en la funciona esta sociedad en la que vivimos, fundada en el machismo, en donde el trabajo doméstico es socialmente e impositivamente femenino y desvalorizado. Por eso cuando una compañera entra en la ocupación, y va a ayudar en alguna tarea colectiva, ella “automáticamente” se propone ayudar en las tareas de cuidado con los otros, limpieza, alimentación, etc., actividades que son consideradas “lugar de mujer”.

Imagenes Movimiento Luta Popular - Brasil
Imagenes Movimiento Luta Popular – Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2.

El capitalismo arranca de nuestro tiempo de trabajo , de nuestro cuero y de nuestro sudor, la ganancia que hace funcionar el engranaje de esta sociedad. Pero no sólo en el trabajo somos explotados. El capitalismo nos explota en todas las dimensiones de nuestra vida, en todos los espacios en donde pasamos el tiempo fuera del oficio. Él hace eso tomando de forma violenta  lo territorios en donde vivimos, precarizando la salud, humillándonos en las filas de espera (del examen, de la consulta, de la casa propia, del espacio en las escuelas), destruyendo la educación, matando nuestra juventud a través de la violencia de las policías y las milicias, encarcelándonos en masa, en el acoso que sufrimos en las calles, en los autobuses y vagones en los que andamos apretados como sardinas, dejándonos sin perspectivas, haciéndonos perder todo en inundaciones e incendios que surgen por la carencia y por la concentración privada de las tierras y de la criminosa ausencia de infraestructura en los barrios, sofocándonos con las mentiras de una vida que no tenemos derecho de vivir, en fin … atacándonos en todo aquello que es el entorno de nuestra casa. Y no es difícil constatar que las mujeres son la mayoría en la resistencia a estos ataques: en el enfrentamiento a los desalojos, en la lucha por guarderías o por salud en los barrios, en las luchas por justicia, memoria y por el derecho a enterrar sus muestro, en las asociaciones de amigos y familiares de presos y presas….

 

El capitalismo ataca justamente en los lugares que según él corresponden a las mujeres – nuestra casa y su  entorno – y por eso vuelve a las mujeres agentes de combate contra él! Y si observamos por atrás de las cortinas de la “historia de los vencedores” (de la versión de la historia “oficial” escrita por el hombre, blanco, burgués, colonizador/imperialista),veremos que desde la esclavitud hasta hoy en día, las mujeres luchan – Y MUCHO! – cotidianamente contra la explotación y la opresión!

 

Nuestra responsabilidad frente a este hecho es hacer con que este debate llegue a quien más lo necesita: aquellas mujeres que aún no consiguen ser conscientes sobre lo que viven y sobre las luchas que hacen, pero que viven esta realidad y la enfrentan, con las pocas herramientas que poseen , todos los días. Nuestro desafío es atraer a las mujeres que ya luchan,  dirigir esas luchas para que perciban capaces de asumir cualquier tarea (no apenas o necesariamente las de cocina/limpieza/organización/cuidado), sino principalmente la tarea de luchar para transformar este mundo!

 

3.

En la Ocupación Esperança, el movimiento Luta Popular intentó, desde el inicio del proceso de organización de las familias, construir este debate con aquellas y aquellos interesados en llevar la lucha por vivienda y la disputa por el territorio. Buscamos asumir el desafío de romper con esa idea de que existen atribuciones exclusivamente para hombres y atribuciones exclusivas para las mujeres dentro de la ocupación, y romper con la idea de que existen actividades más importantes ( las de los hombres) que otras ( las de las mujeres). Intentamos desarrollar de forma fraterna, aunque firme, un dialogo sobre el tema del machismo, del combate a la violencia, del respeto a las mujeres, que acompañe los pasos de nuestra lucha. Esto porque, si pasamos noches vigilando, sintiendo el mismo frío, si cuando somos amenazados sufrimos la misma amenaza, si cuando apañamos de la policía en la manifestaciones apañamos juntos, si cuando compartimos las esperanzas estamos hermanados en nuestro sueño de cambiar nuestras vidas, ¿por qué debería existir diferencia entre nosotros? ¿Por qué sería justo que mujeres se sientan inseguras, no respetadas, disminuidas o invisibilizadas en la lucha? ¿Cómo podríamos aceptar la opresión entre nosotros, si nuestra lucha es contra las opresiones que el sistema impone sobre el conjunto de nosotros?

 

Comenzamos ese trabajo al lado de la estufa, al interior de las cocinas colectivas, donde se concentran muchas mujeres en la tarea de alimentar a todos los que están en la lucha. Así, comenzamos a hacerlo a partir de las mujeres con las mujeres, para que pudiéramos pensar juntas cómo avanzar en nuestra perspectiva de fortalecer e involucrar a las mujeres para, de forma auto-organizativa, levantarnos como iguales con los hombres en la lucha que estábamos construyendo.

 

Imagenes Movimiento Luta Popular - Brasil
Imagenes Movimiento Luta Popular – Brasil

 

4.

En la ocupación Esperança, todo es decidido colectivamente en asambleas, y lo que es definido democráticamente por la mayoría es hecho por todos y responsabilidad de todos. Todo lo que construimos lo hicimos juntos, en maratones de trabajo común. Y juntos fuimos capaces, sin dinero, ni estructura, sin el rabo preso con ningún político, de construir un barrio en donde fue el pueblo quién decidió dónde iban a pasar las calles, dónde iban a ser las plazas, cómo iba a ser el sistema de energía, de drenaje y de agua, las reglas colectivas, cómo resolver los conflictos.

 

En ese proceso las mujeres pudieron percibir que, si somos capaces de enfrentar una lucha por la vivienda (pasando frío, sueño, miedo, condiciones precarias, y quemándonos bajo el sol en marchas), si somos capaces de organizar una cocina y alimentar mil familias (siendo que antes de la ocupación existía la duda de conseguir alimentar a pocos hijos), y si a lo largo de esos años, fuimos capaces, juntos, de organizar un barrio donde quien gobierna es el pueblo en lucha, ¿por qué no podemos organizarnos y gobernar la ciudad, el país y hasta el mundo?

 

En la batalla para intentar arrancar – a la fuerza! – la satisfacción de las necesidades que nos son negadas todos los días, aprendemos que nuestra organización es nuestra fuerza, y que la vida mejor que buscamos sólo será posible con la unión de los de abajo contra el poder y la explotación de los de arriba. Por medio de nuestra lucha directa y de la auto-organización conseguimos acceder a más cosas de las que son ofrecidas a aquellos de los  barrios de las periferias, de donde venimos, y hoy conseguimos vivir mejor que los de allá afuera. Tenemos acceso a cultura (clases de teatro y danza, clases de español, cinema, saraos, presentaciones de artistas de la comunidad, actividades culturales y hasta nuestro proprio bloco de samba). Aprendemos a medir, algunas nociones de construcción civil y arquitectura, y a proyectar mapas. Presumimos el hecho de que nunca hubo un asesinato en la comunidad y esto ocurrió sin que nadie tuviera que oprimir a nadie.  Y este año completaremos 5 años de conquista de este barrio, en el que todos saben que es suyo – porque el trabajo de sus manos y su opinión es tomada en cuenta en las decisiones y cada uno está incrustado en todo lo que fue construido – y que todos llaman de “nuestro”, en el verdadero sentido de lo que es la apropiación colectiva del territorio por parte de los trabajadores y trabajadoras que allí viven.

 

Queremos mostrar, para quien no tuvo la oportunidad de experimentar, que esto es posible y queremos que se replique en las ocupaciones, en los barrios, en las fábricas, en las escuelas, en los hospitales, en el sistema de transporte y en cada rincón. Queremos que cada espacio sea organizado y gobernado por aquellos que en él viven, trabajan o lo utilizan para reproducir sus vidas.

 

Sin las mujeres esta revolución no será posible!

 

 

 

Así, en la lucha por la vivienda, en las asambleas, marchas, manifestaciones, aprendemos que nosotras, mujeres, podemos ir mucho más allá del lugar que el sistema nos quiere imponer, limitándonos. Nuestro lugar es en la lucha, lado a lado con nuestros compañeros.

 

Con la lucha de las mujeres, toda la comunidad ganó.   Fue nuestra lucha – en su totalidad – la que se fortaleció. Por eso, “ganar” a los hombres ( que también son explotados y oprimidos por el sistema)  en la lucha de las mujeres es fundamental! Es preciso que ellos comprendan que la lucha de las mujeres de su clase es una lucha también de ellos. La liberación de las mujeres tiene que andar junto a la lucha por la libertad de nuestro pueblo.

 

5.

 

Por esto, la cuestión de las mujeres es para nosotras una cuestión radical, porque necesitamos – y con urgencia –  transformar de forma revolucionaria este mundo.

 

Para quien nunca fue considerada sexo débil, porque desde la esclavitud hasta hoy en día es explotada haciendo trabajos muy duros y penosos; para quien nunca encajó en el padrón de belleza por ser negra, indígena y todo eso mezclado; para quien recibe menos que los hombres y que las mujeres blancas y está en los trabajados más precarizados; para  quien el Estado genocida le arranca la vida de sus hijos; para quien es vendida “allá afuera” como objeto sexual y para quien la violación es un miedo cotidiano; para quien cría a sus hijos solita, trabajando dentro y fuera de casa, haciendo del estudio algo mucho más distante de que para otros; para quien muere más y sufre más violencia; para quien

deja de comer para darle de comer a sus hijos, porque lo poco que se tiene no alcanza para alimentar todas las bocas; para quien, del día a la noche, pierde todo lo que construyó a lo largo de su vida en desalojos violentos o incendios criminosos…en fin…Para las mueres trabajadoras y pobres es imposible ser mujer sin cargar un tanto de odio acumulado por toda la humillación y dolor que el sistema nos hace pasar.  

 

Por eso necesitamos de esta revolución!

No queremos que reduzcan nuestro odio acumulado e intenten decir que la cuestión de las mujeres, el problema de la vivienda y el de las ciudades, se limita a poner el nombre de la mujer en el título de propiedad de la casa o  a aumentar el tamaño de la cocina y del lugar en donde se pone el tanque en los proyectos habitacionales!

 

Es posible ir mucho más adelante y sabemos que eso es necesario y es posible!

 

La lucha de las mujeres es inseparable de la lucha para alcanzar todas las transformaciones que nuestra clase necesita, destruyendo este sistema que sirve para un pequeño puñado de privilegiados, aplastando a la gran mayoría que vive sofocado. Por eso, es necesario unir hombres y mujeres de nuestra clase para organizar a los de abajo para derrumbar a los de arriba!

 

Militante do movimento Luta Popular

Comparte!

Deja un comentario

Tu dirección de correo electrónico no será publicada. Los campos obligatorios están marcados con *

Este sitio usa Akismet para reducir el spam. Aprende cómo se procesan los datos de tus comentarios.