Ilustración de Araceli di Pascua

Ir ao artigo em português

Es la de Silvio. Suena en mi cabeza desde que me desperté. Duermo con una libretita bajo la almohada para llevar nota de mis sueños. Anoche tuve uno esperanzador. No le voy a dar crédito. Lo interpreto mal, espero que pronto todo se resuelva y… llega la desilusión.

El final de esto debería ser que llega la celadora y dice: “prepare sus cosas, tiene su libertad”… y estas perras que duermen, que llevan la cuenta de cada suceso de tu vida, se tendrían que despertar para aplaudir… ¡Mataría dos pájaros de un tiro!… Pero así no termina.

De chiquita me preocupaba qué sería eso de estar presa sin ser culpable. (¿Por qué no eres una niña normal?) Comencé a pensarlo desde lo de mi tía Mariana en la Dictadura. La secuestraron y la torturaron por militar en la JP.

Mi tía me cantaba: “por el vino perdí los pelos y me llaman despelada…” Una canción como la de La Chiva, donde una cosa se mete dentro de otra y hay que desandarla como desarmando una Mamushka. Inventé una canción que tocaba en la guitarra para ella. Todas mis heroínas se llamaban Mariana.

De adolescente, también militaría en la JP. Al principio, creo, por el gusto morboso de haber rabiar a mi papá y a mi mamá. Era mi secreta venganza por las cosas que decían de ella.

Las monjas nos hacían juntar ropa vieja para “los niños pobres”, mientras nos mostraban una foto de algún “africanito”. Le decían “caridad”. Les llevábamos dinero que juntábamos de formas creativas, y nos compensaban con un Certificado de Madrinas de un niñito pobre. La emoción infantil era elegirle un nombre para bautizarlo. La persecución a los cristianos me hacía soñar que me comían los leones. Era católica de chiquita.

“Si militás sos un corrupoto”, decía papá.

Después de siete años, sin juicio alguno, liberaron a mi tía Mariana. Fue con la vuelta  de la democracia.

Escuché de un tipo que estuvo preso un año y medio, siendo inocente. – ¿Y qué pasó?, le pregunté a mamá. No sabía. Mucho después vi películas como En el nombre del Padre o algo así, con Daniel Day Lewis. Pensaba si era posible sentirse realmente en los zapatos de otro.

Mi primer sensei murió en prisión. Su discípulo, Josei Toda, cuenta que aplastando un piojo en la cárcel, comenzó a reflexionar a dónde iría su vida.

El primer día en la comisaría, la cara de vinagre me dice sin anestesia:

-Violaron a una boliviana con un palo, la perforaron y estaba embarazada. Vos no hables con nadie, y si no, decí que sos mechera. Llevaba 36 horas sin comer ni dormir. Me puse a recitar mi mantra: Nam Myoho Rengue Kyó. Se me apareció el árbol de la vida en la pared sucia de sangre y saliva. Si lo contaba me tomarían por loca. No podía decir que era mechera porque no tenía idea qué era eso. Si seguía insistiendo en que no cometí ningún delito, seguiría tropezando con los mismos gestos inmutables o la ausencia de gestos. Seguí orando: Nam Myoho Rengue Kyó.

Me sentía en una realidad alternativa del capítulo de Star Trek. En cualquier momento todo volvería a la normalidad. Nunca había sentido tanta Ciencia Ficción en la piel.

Pude dormir.

Me desperté sumergida a la fuerza en un hoyo negro del cuadrante alfa, en alguna civilización recién descubierta. Y yo hablando klimgom.

Si le pedía a la vinagrosa que me llevara al baño, la cosa empeoraba y decidía hacerme esperar horas. Tenía sed. Si pedía agua iba a necesitar orinar. Tenía hambre.

El colchón en el piso era tan grande como la jaula y estaba verde. Seguía con la misma ropa, sin cepillarme los dientes y con olor a moho en todo el cuerpo. La cara de vinagre se acercó. Me tira un tupper. ¿Alguien pudo saber de mí aunque no me habían dejado hacer un llamado?

Tuve miedo. El miedo no me abandonaría por mucho tiempo. Agarré el tupper. Estaba caliente. La primera bondad en toda esta aventura: ravioles a la bolognesa.

Lloré.

A sólo 50 horas, hasta lo más esencial tenía colores y sabores desconocidos. ¿Cuánto faltaría para terminar el recorrido por este agujero negro?

Hoy hace 20 meses que sigo esperando.

Qué fácil es criticar a mil kilómetros de distancia…

_________________________________________________________________________

Uma de Ciência Ficção

Ilustración de Araceli di Pascua

Traduzido por Florencia Ordoqui

É uma de Silvio. Soa na minha cabeça desde que me acordei. Eu durmo com um caderninho debaixo do travesseiro para levar nota dos meus sonhos. Ontem à noite tive um esperançoso. Não vou dar-lhe importância, interpreto-o mal, espero que tudo seja resolvido logo e… chega a desilusão. 

O final disso deveria ser que chega a guarda e fala “Você prepare suas coisas, tem sua liberdade”… E aquelas cadelas que dormem, que levam conta de cada acontecimento da tua vida, ter-se-iam que acordar para bater palmas… ¡Mataria dois pássaros com um tiro só! Mas isso não acaba assim. 

De criança preocupava-me o que era isso de ficar presa sem ser culpado. (Por que você não é uma menina normal?) Comecei a pensar nisso desde aquilo que aconteceu com a minha tia Mariana, na ditadura. Ela foi seqüestrada e torturada por ser ativista na JP1) Juventude Peronista. .

Minha Tia cantava para mim: “Pelo vinho eu perdi os cabelos e chamam-me a descabelada…” Uma musica como “La Chiva”, onde uma coisa fica dentro da outra e há que refazê-la como desarmando uma Mamushka.  Eu inventei uma canção que tocava no violão pra ela. Todas as minhas heroínas se chamavam Mariana. 

Na adolescência, eu também seria ativista da JP. Num principio, acho, pelo prazer mórbido de irritar meus pais. Essa era a minha secreta vingança pelas coisas que eles diziam sobre ela.

As freiras faziam-nos juntar as roupas velhas para “as crianças pobres”, enquanto mostravam-nos uma foto de algum “africanito”2) Pequeno menino africano. . Falavam de “caridade”. Levávamos-lhes dinheiro que a gente juntava de formas criativas, e elas compensavam-nos com um certificado de Madrinhas de uma criança pobre. O entusiasmo infantil era escolher um nome para balizá-lo. A persecução aos cristãos fazia-me sonhar que os leões me comiam. Eu era católica de criancinha. 

“Se você é um ativista, você é corrupto”, dizia meu pai. 

Depois de sete anos, sem julgamento nenhum, deixaram livre a minha tia Mariana. Isso foi com a volta da democracia.

Eu escutei de um cara que ficou preso um ano e meio, sendo ele inocente. -¿E o que aconteceu? Perguntei para minha mãe. Ela não sabia. Muito tempo depois eu assisti películas como “En el nombre del Padre” ou alguma coisa assim, com Daniel Day Lewis. Eu pensava se era possível se sentir realmente nos sapatos do outro.

O meu primeiro sensei morreu em prisão. Seu discípulo, Josei Toda, contava que foi esmagando um piolho na cadeia, que começou refletir para onde iria sua vida.

O primeiro dia na delegacia, a ‘cara de vinagre’ me disse sem anestesia: 

-Uma boliviana foi estuprada com um pau, eles a perfuraram, e estava grávida. Você não tem que falar com ninguém, se não, tem que dizer que você é mechera. Eu tinha 36 horas sem comer nem dormir. Comecei a recitar meu mantra: NamMyoho Rengue Kyó. Apareceu-me a árvore da vida na parede suja de sangue e saliva. Se eu contava isso, eles tomariam-me por louca. Não poderia dizer que eu era mechera porque eu não tinha idéia o que era isso. Se eu continuasse insistido em que eu não havia cometido nenhum delito, ia continuar tropeçando com os mesmos gestos imutáveis o com a ausência dos gestos.  Continuei rezando: NamMyoho Rengue Kyó.

Sentia-me numa realidade alternativa do capitulo de StarTrek. Em qualquer momento tudo aquilo voltaria ao normal. Nunca tinha sentido tanta Ciência Ficção na pele. 

Consegui dormir. 

Acordei submergida pela forca naquele buraco negro do quadrante alfa, em alguma civilização recentemente achada. E eu falando klimgom.

Se eu pedisse para ‘a cara de vinagre’ que me levara ao banheiro, a coisa só ia empiorar, e ela ia decidir me fazer esperar horas. Estava com sede. Se pedisse água ia precisar urinar. Estava com fome.

O colchão no chão era tão grande como a jaula e estava verde. Eu continuava com a mesma roupa, sem me escovar os dentes e cheirando a mofo em todo o meu corpo. a ‘cara de vinagre’ se aproximou. Jogou-me um tupper. ¿Alguém poderia saber sobre mim mesmo que eles não tivessem me deixado fazer nenhuma ligação? 

Eu tive medo. O medo não me abandonaria durante muito tempo. Peguei o tupper.  Ficava quente. Essa foi a primeira bondade em toda essa aventura: ravióli á bolonhesa.

Chorei. 

 Só 50 horas passaram e até aquilo mais essencial tinha cores e sabores desconhecidos. 

¿Quanto tempo vai demorar o percurso pelo esse buraco negro?

Hoje faz 20 messes que continuo esperando.

Notas   [ + ]

1. Juventude Peronista.
2. Pequeno menino africano.

Deja un comentario

Tu dirección de correo electrónico no será publicada. Los campos obligatorios están marcados con *

Este sitio usa Akismet para reducir el spam. Aprende cómo se procesan los datos de tus comentarios.