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Desde mães de vítimas do Estado brasileiro até representantes de diversas lutas por justiça e da campanha de Boicote, desinvestimento e sanções (BDS) a Israel em toda a América Latina, além de África do Sul, Índia, Estados Unidos e Palestina ocupada, compartilharam suas dores e resistência no Rio de Janeiro. Além de denunciarem seus algozes e os interesses econômicos que os unem, discutiram como aprofundar os laços entre os oprimidos e explorados e fortalecer a solidariedade e resistência contra a exportação da barbárie.

A atividade que propiciou esse encontro foi o 3º Julho Negro, articulação internacional contra a militarização e o racismo no mundo. Realizado entre 23 e 27 de julho, contou no encerramento com audiência popular na Faculdade de Direito da Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). No centro, os acordos e convênios entre os governos e o Estado de Israel, bem como sua colaboração histórica tanto com o apartheid na África do Sul quanto com ditaduras na América Latina e em todo o mundo.

No dia 27, a vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) – barbaramente assassinada há mais de quatro meses, um dos muitos crimes ainda impunes – completaria 39 anos. A plenária homenageou sua mãe Marinette com a entrega a ela de uma hatta palestina (um lenço) e o compromisso de seguir lutando por justiça. O momento não foi o único a arrancar lágrimas: o depoimento de Bruna da Silva, mãe de Marcus Vinícius, de apenas 14 anos, também tocou os corações que ali se coadunavam em solidariedade. O menino perdeu a vida há cerca de um mês atingido por uma bala disparada pela polícia quando voltava da escola para sua casa, no Complexo da Maré,
no Rio de Janeiro. Bruna expressou a indignação e a coragem dos que não têm nada a perder – transformam o luto em luta. Carregando a mochila e o uniforme escolar ensanguentado que o menino usava quando foi alvejado, sua busca por justiça já vem lhe rendendo ameaças, como denunciou no ensejo. À abertura, outra mãe de vítima do Estado brasileiro a inspirar os oprimidos e explorados com sua força e
determinação: Maria Dalva Correia da Silva, cujo filho foi um dos assassinados há 15 anos na chacina do Borel.

Em outro painel, a jovem lutadora da Maré, do movimento de favelas do Rio, Gizele Martins, explicitando a conexão entre essas mortes e a exportação de tecnologias militares israelenses. Ela visitou a Palestina ocupada a convite do movimento BDS e tem atuado pelo fim da cumplicidade mútua: as armas que matam pobres e negros nas periferias brasileiras são testadas primeiramente nos palestinos, que resistem a limpeza étnica há mais de 70 anos. O Governo do Rio de Janeiro, estado sob intervenção militar, é um dos clientes, não o único.

“O Exército quando invade a favela e em suas operações hoje, nas periferias, faz os chamados ‘fichamentos’. Nas entradas e saídas de moradores das favelas, eles os revistam, pegam suas identidades, pedem para que fiquem esperando, sentados em uma cadeira, para ver se esses moradores têm algum tipo de violação ou passagem pela polícia. Eu vi algo muito parecido só que de uma forma – óbvio – muito mais
intensa na Palestina, em que os moradores em seus locais, em suas aldeias, nos seus territórios, são obrigados a passar pelos checkpoints. Outra semelhança é a presença cada vez maior dos carros blindados, que aqui no Rio a gente chama de ‘caveirões’, dentro de nossos territórios empobrecidos, que são territórios negros, nordestinos e indígenas. Atualmente vem também sendo utilizados, nas operações policiais nas favelas, helicópteros que são uma versão desses blindados, como ‘caveirões’ aéreos, que atiram de cima para baixo em nossas cabeças”, conta Gizele. A outra analogia pôde ser vista in loco: muro construído para ocultar da paisagem fluminense a comunidade da Maré – formada por 140 mil habitantes –, segregando-a. Segundo informaram moradores, o Governo do Rio de Janeiro gastou R$ 20 milhões na sua construção. Enquanto os palestinos lutam contra o “muro do apartheid”, um dos muitos aparatos que violam seus direitos humanos fundamentais em território ocupado, a população local resiste a desaparecer atrás do que chama de “muro da vergonha”. Os “caveirões” são parte das aquisições no Brasil de equipamentos, armas, treinamento e táticas israelenses – tecnologias desenvolvidas pelo estado sionista e
testadas sobre as verdadeiras “cobaias humanas” em que converte os palestinos cotidianamente. O Governo do Rio de Janeiro comprou oito desses blindados da israelense Global Shield em uma licitação no dia 21 de janeiro de 2013, por cerca de R$ 6 milhões. O negócio com o governo fluminense seria visto como uma “oportunidade” à Global Shield ter num dos estados que sediaria os jogos da Copa de 2014, além das Olimpíadas de 2016, “o maior show room de segurança pública mundial”. Em São Paulo, blindados israelenses semelhantes são chamados “Guardiões”. A primeira leva, das empresas Plasan e Hatehoff, chegou em 2015 ao custo de R$ 30 milhões. Outros quatro, da Carmor, foram entregues no ano seguinte, onerando o erário paulista em R$ 1,4 milhão cada, segundo sites de notícias.

 

Shopping center da morte

A ocupação na Palestina lucra ao se apresentar ao mundo como o shopping center desses aparatos militares, que então servem ao extermínio e genocídio de pobres, indígenas e negros, bem como à repressão e criminalização dos que lutam contra a opressão e exploração. O potencial da América Latina, como destino à exportação, é anunciada há anos pelas lideranças sionistas, que de fato têm voltado seus olhos à região – diante de uma queda de 46% nos investimentos externos que o Estado de Israel enfrenta com o fortalecimento da campanha de BDS na Europa. O resultado é a tal cumplicidade mútua, como denunciaram por exemplo representantes dos indígenas mapuches do Chile e dos camponeses de Honduras durante a audiência popular, entre outros. Lamentavelmente o Brasil tem se notabilizado como porta de entrada para esses “negócios” à região: durante os governos Lula e Dilma, se tornou um dos cinco maiores importadores de tecnologia militar israelense.

Tais “produtos” são expostos em eventos internacionais de segurança e defesa, como a Latin American Aero & Defense (Laad), chamada por ativistas de “Feira da Morte”. Neste ano ocorreu entre 10 e 12 de abril, em São Paulo. Moradores das comunidades no Rio de Janeiro se uniram a sem tetos e palestinos no protesto contra a “militarização de suas vidas” – nessa articulação que se expande a partir do 3º Julho Negro. Do chamado por BDS a Israel, o rechaço à “retórica” e à “paz dos cemitérios” ecoou e ganhou as ruas da capital fluminense durante protesto ao fim da audiência popular. Da América Latina à Palestina, oprimidos e explorados bradaram por justiça,
marchando ao lado dos que levantam a bandeira da solidariedade internacional.

Do coração das comunidades do Rio à voz palestina e indígena latina que persistem como “cacos de vidro” nas goelas dos seus algozes – parafraseando o poeta revolucionário palestino Tawfiq Ziyad –, a certeza de que é urgente unir os de baixo para derrotar os de cima. E finalmente ser livres para tomar seus destinos em suas mãos.

 

 

 

DE AMÉRICA LATINA HACIA PALESTINA, LUCHAS UNIDAS CONTRA LA MILITARIZACIÓN

 

Imagem: Rio on Watch
Imagen: Rio on Watch

 

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Desde madres de víctimas del Estado brasileño hasta representantes de diversas luchas por

justicia y de la campaña de Boicot, desinversión y sanciones (BDS) a Israel en toda América Latina, Sudáfrica, India, Estados Unidos y Palestina ocupada, compartieran sus dolores y resistencias en Río de Janeiro. Además de denunciar sus verdugos y los intereses económicos que los unen, discutieron cómo profundizar los vínculos entre los oprimidos y explotados y fortalecer la solidaridad y la resistencia contra la exportación de la barbarie.

La actividad que propició este encuentro fue el 3º Julio Negro, articulación internacional contra la militarización y el racismo en el mundo. Realizado entre el 23 y el 27 de julio contó, en la sesión de cierre, con audiencia popular en la Facultad de Derecho de la Universidad Federal de Rio de janeiro (UFRJ). En el centro, los acuerdos y convenios entre los gobiernos y el Estado de Israel, así como su colaboración histórica tanto con el Estado apartheid en Sudáfrica y con dictaduras en América Latina y en todo el mundo.

El día 27 de julio, la concejal carioca Marielle Franco (PSOL) – barbaramente asesinada hace más de cuatro meses, uno de los muchos crímenes aún impunes – cumplía 39 años. La plenaria rindió homenaje a su madre Marinette con la entrega a ella de una hatta palestina (un pañuelo) y el compromiso de seguir luchando por la justicia. El momento no fue el único en arrancar lágrimas: el testimonio de Bruna da Silva, madre de Marcus Vinícius, de apenas 14 años, también tocó los corazones que allí se coadunaban en solidaridad. El niño perdió la vida hace cerca de un mes alcanzado por una bala disparada por la policía cuando volvía de la escuela a su casa, en el Complejo de Favelas de la Maré, en Río de Janeiro. Bruna expresó la indignación y el coraje de los que no tienen nada a perder – transformando el luto en lucha. Cargando la mochila y el uniforme escolar que el niño usaba cuando fue asesinado, su búsqueda por justicia ya le rindió amenazas, como denunció en la ocasión.

A la apertura, otra madre de más una víctima del Estado brasileño a inspirar a los oprimidos y explotados con su fuerza: María Dalva Correia da Silva, cuyo hijo fue uno de los asesinados hace 15 años en la matanza del barrio Borel.

En otro panel, la joven luchadora de la Maré, del movimiento de favelas de Río, Gizele Martins, explicitando la conexión entre esas muertes y la exportación de tecnologías militares israelíes. Ella visitó Palestina ocupada por invitación del movimiento BDS y ha actuado por el fin de la complicidad mutua: las armas que matan a pobres y negros en las periferias brasileñas se prueban primero en los palestinos, que se resisten a la limpieza étnica desde hace más de 70 años. El Gobierno de Río de Janeiro, estado bajo la intervención militar, es uno de los clientes, no el único.

“El Ejército, cuando invade la favela y en sus operaciones hoy en las periferias, hace llamados ‘fichamientos’. En las entradas y salidas de los habitantes de las favelas, ellos los inspeccionan, para ver si estos residentes tienen algún tipo de violación o paso por la policía. He visto algo muy parecido sólo que de una forma – obvio – mucho más intensa en Palestina, en la que los moradores en sus locales, en sus aldeas, en sus territorios, están obligados a pasar por los checkpoints.

Otra semejanza es la presencia cada vez mayor de los coches blindados, que aquí en Río la gente llama ‘calaverones’, dentro de nuestros territorios empobrecidos, que son territorios negros, nordestinos y Indios. Actualmente vienen también siendo utilizados, en las operaciones policiales en las las favelas, helicópteros que son una versión de esos blindados, como ‘calaverones’ aéreos, que tiran de arriba abajo en nuestras cabezas “, cuenta Gizele.

La otra analogía pudo ser vista in loco: muro construido para ocultar del paisaje fluminense a

comunidad de la Maré – formada por 140 mil habitantes -, segregándola. Segun informaron los residentes, el Gobierno de Río de Janeiro gastó 20 millones de reales en la construcción. Mientras los palestinos luchan contra el “muro del apartheid”, uno de los muchos aparatos que violan sus derechos humanos fundamentales en territorio ocupado, la población local se resiste a desaparecer detrás de lo que llama “muro de la vergüenza”.

Los “calaverones” son parte de las adquisiciones en Brasil de equipos, armas, entrenamiento y tácticas israelíes – tecnologías desarrolladas por el estado sionista y probadas sobre las verdaderas “cobayas humanas” en que convierten a los palestinos todos los días. El Gobierno de Río de Janeiro compró ocho de esos blindados israelís de la empresa Global Shield en una licitación el 21 de enero de 2013, por cerca de R$ 6 millones de reales. El negocio con el gobierno fluminense sería visto como una “Oportunidad” a Global Shield tener en uno de los estados que albergar los partidos de la Copa de 2014, además de las Olimpiadas de 2016, “el mayor show room de seguridad pública mundo “.

En San Pablo, los blindados israelíes similares se llaman “Guardianes”. El primer lote, de las empresas Plasan y Hatehoff, llegó en 2015 al el costo de R $ 30 millones. Otros cuatro, de Carmor, fueron entregados al año siguiente, en el marco del erario paulista en R $ 1,4 millones cada uno, según sitios de noticias

 

 

Shopping Center de la muerte

 

La ocupación en Palestina se alza al presentarse al mundo como el centro comercial de esos aparatos militares, que entonces sirven al exterminio y genocidio de pobres, indígenas y negros, así como a la represión y criminalización de los que luchan contra la opresión y explotación. El potencial de América Latina, como destino a la exportación, es anunciada hace años por los líderes sionistas, que de hecho han vuelto sus ojos a la vista región – frente a una caída del 46% en las inversiones externas que el Estado de Israel se enfrenta al fortalecimiento de la campaña de BDS en Europa. El resultado es tal complicidad mutua, como denunciaron por ejemplo a representantes de los indígenas mapuches de Chile y de los campesinos de Honduras durante la audiencia popular, entre otros. Lamentablemente Brasil se ha destacado como puerta de entrada para esos “negocios” a la región: durante los gobiernos Lula y Dilma, se ha convertido en uno de los cinco mayores importadores de tecnología militar israelí.

Estos “productos” se exponen en eventos internacionales de seguridad y defensa, como el Latin American Aero & Defense; (Laad), llamada por activistas de “Feria de la Muerte”.

Este año ocurrió entre el 10 y el 12 de abril, en São Paulo. Moradores de las comunidades en Río de Janeiro se unieron a sin techos y palestinos en la protesta contra “Militarización de sus vidas” – en esa articulación que se expande a partir del 3º Julio Negro. De la llamada por BDS a Israel, el rechazo a la “retórica” ​​y a la “paz de los cementerios”, ganó las calles en la capital de Rio de janeiro, durante la protesta al final de la audienia publica.De América Latina a Palestina, oprimidos y explotados gritaron por justicia, marchando al lado de los que levantan la bandera de la solidaridad internacional.

Del corazón de las comunidades de Río a la voz palestina e indígena latina que persisten como “pedazos de vidrio” en las gargantas de sus verdugos – parafraseando al poeta revolucionario palestino Tawfiq Ziyad -, la certeza de que es urgente unir los de abajo para derrotar a los de arriba y finalmente ser libres para tomar sus destinos en sus  manos.

 

 

Soraya Misleh é jornalista palestino-brasileira, mestre e doutoranda em Estudos Árabes pela Universidade de São Paulo (USP). Autora do livro “Al Nakba – um estudo sobre a catástrofe palestina” (Editora Sundermann). Coordena a Frente em Defesa do Povo Palestino em São Paulo.

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