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Ilustração: Ju Días

Nós, da Escola Feminista Abya Yala, nos reunimos numa assembleia de mulheres, depois de mais um caso de violência contra uma de nós, em nossa região, lugar que concentra números alarmantes de Feminicídio e violações de direitos de todo tipo contra mulheres.

A dor que engolimos há tanto tempo fez engasgar o choro em nossas vozes cortadas, dizendo que já não aguentamos mais e que isso precisa parar porque nós somos aquelas que suportam o peso do mundo e já não conseguimos respirar.

Temos sofrido violências há tempo demais e depois de partilhar o nosso sofrimento comum, nós enxergamos essa mesma violência em ataques brutais ao direito aos nossos corpos, o direito à nossas decisões, o direito à maternidade e à infância.

Essa sociedade que suga a seiva de mulheres pobres, como nós, moradoras de periferias, está a nos matar de muitas maneiras. A Reforma da previdência implica que sustentaremos como cuidadoras, também aos idosos que não aguentarem as exigências de produtividade da roda gigante do capital.

O ataque à educação destrói, ao mesmo tempo, gerações inteiras de jovens e sobrecarrega ainda mais os corpos das mulheres pobres e trabalhadoras como nós. Compartilhamos da preocupação urgente em defender nossa universidade pública, tão censurada e depredada pelo governo mas atentamos, como mulheres de periferia, para o processo de privatização da educação infantil.

Muitas gerações tem a vida em risco. A privatização das creches, a possível entrega deste serviço a entes privados e organizações sociais de cunho religioso abre as comportas do horror com a doutrinação de crianças antes de chegarem aos 6 anos de idade. Essa será a única modalidade de educação infantil disponível às mães pobres que precisam trabalhar em empregos ultraprecarizados para sobreviver.

Essa perspectiva parece casar muito bem com  a militarização das escolas e com o encarceramento de jovens negros e pobres, já que de alguma forma estarão, gerações inteiras, atrás de grades e sob o disciplinamento mais brutal e violento.

A depredação das tarefas de cuidar – que injustamente recai sobre nossas costas – vai aumentar o peso que suportamos e ao mesmo tempo, desvaloriza profissionais que são, em sua maioria mulheres. As mulheres trabalhadoras da educação infantil, fundamental e do ensino médio tem sido alvo de violência permanente. A desvalorização de seu trabalho parece legitimar a que alguém acredite poder violentar sexualmente uma professora, no estacionamento da escola em que trabalha, como aconteceu esta semana na cidade de São Paulo..

Mas esse é o momento mais extremo, porque elas convivem diariamente com assédios, com violência física e psicológica, com a desmoralização e desvalorização por parte inclusive de colegas homens, ou de gestores homens.

Nossa posição é total intransigência a qualquer forma de violência contra as mulheres em suas diversas formas de expressão.

O Brasil ocupa o 5ª. lugar no ranking dos países com os maiores índices de violência contra as mulheres. De acordo com o Mapa da Violência 2015 – Homicídios de Mulheres no Brasil (WAISELFISZ, 2015),  mulheres jovens, pobres e negras são as vítimas prioritárias.

Esse indicador é alarmante, mas deixa ver que a política de genocídio de nosso povo e de extermínio de nossas forças se dá também através das violências que acontecem dentro de casa, através das mortes  geralmente praticadas por parceiros íntimos e pessoas próximas; revela a persistência de uma violência contra nós por sermos mulheres.

O controle do corpo feminino e das mulheres tem alicerce no patriarcado, no capitalismo e no racismo, e dá base para desigualdades, hierarquias e privilégios que destroem as mulheres assim como a todo nosso povo.

Nós não aceitaremos mais.

Nós não suportamos mais.

Nós nos reunimos entre nós para defender a vida, para nos defendermos juntas, para cuidarmos umas das outras, para defender a infância, a liberdade de corpos e pensamentos.

Se estamos na base deste sistema, que fica de pé pisando sobre corpos de mulheres pobres no mundo todo, talvez possamos mudar as coisas se nos movermos, e nós decidimos nos mover.

Não vamos nos calar e nem toleraremos qualquer tipo de justificação teórica e ou psicológica que justifiquem qualquer das várias formas de violência contra as mulheres.

Assembléia Feminista Abya Yala

Pindorama, 30 de Setembro de 2019

Assinam este  Manifesto:

Escola Feminista Abya Yala

Revista Amazonas 

Núcleo Pele

Sexualidade Aflorada

A Bordar Espaço Terapêutico

T.ar Raizes

Periferia em Movimento

Horta di Gueto

Escritureiras

Perifeminas

Coletiva Cendira

Aondê Natural 

NEARMEPOT ( Núcleo de Estudos Autônomo sobre a Racionalidade Médica dos Povos Originários e Tradicionais)

AMESOL- Associação de Mulheres da Economia Solidária

Feira Agroecológica e Cultural de Mulheres do Butantã

Revista Sampa Mundi

Equipe de Produção da FELIZS – Feira Literária da Zona Sul

Revelar.si – Coletivo de fotógrafas da comunidade do Coque, Recife, PE.

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Manifiesto por el fin a la violencia contra las mujeres

Ilustración: Ju Días

Nosotras, de la escuela feminista de Abya Yala, nos reunimos en una asamblea de mujeres después de otro caso de violencia contra una de nosotras en nuestra región (periferia sur de la ciudad de São Paulo), lugar que concentra un número alarmante de feminicidios y violaciones de todo tipo contra las mujeres.

El dolor que nos hemos tragado durante tanto tiempo ha hecho que el llanto en nuestras voces cortadas se ahogue, diciendo que no podemos soportarlo más y que esto debe parar porque somos nosotras aquellas que soportamos el peso del mundo y ya no podemos respirar.

Hemos sufrido violencia durante demasiado tiempo y después de compartir nuestro sufrimiento común, vemos esa misma violencia en ataques brutales contra el derecho a nuestros cuerpos, el derecho a nuestras decisiones, el derecho a la maternidad y la infancia.

Esta sociedad que absorbe la vida de las mujeres pobres, como nosotras, nos está matando de muchas maneras. La reforma de pensiones implica que también apoyaremos como cuidadoras a los ancianos que no pueden soportar las demandas de productividad de la rueda del capital.

El ataque a la educación destruye, al mismo tiempo, generaciones enteras de jóvenes y carga aún más los cuerpos de las mujeres trabajadoras pobres como nosotras. Compartimos la urgente preocupación de defender nuestra universidad pública, tan censurada y depredada por el gobierno, pero prestamos atención, como mujeres de la periferia, al proceso de privatización de la educación de la primera infancia.

Muchas generaciones tienen sus vidas en riesgo. La privatización de las guarderías, la posible prestación de este servicio por entidades privadas y organizaciones de naturaleza religiosa abre las puertas del horror ante el adoctrinamiento de niños antes que cumplan 6 años. Este será el único tipo de educación para la primera infancia disponible para las madres pobres que solamente tienen acceso a trabajos precarios para sobrevivir.

Esta perspectiva parece casarse muy bien con la militarización de las escuelas y el encarcelamiento de jóvenes negros y pobres, ya que de alguna manera, generaciones enteras estarán, tras las rejas y bajo la disciplina más brutal y violenta.

La depredación de las tareas de cuidado, que injustamente recaen sobre nuestra espalda, aumentará el peso que sostenemos y al mismo tiempo devaluará a los profesionales, en su mayoría mujeres. Las trabajadoras en educación infantil, primaria y secundaria han sido objeto de violencia permanente. La devaluación de su trabajo parece legitimar a alguien que cree que puede violar sexualmente a una maestra en el estacionamiento de la escuela donde trabaja, como sucedió esta semana en la ciudad de São Paulo.

Este es el momento más extremo, porque vivimos a diario con acoso, violencia física y psicológica, desmoralización y devaluación por parte de colegas masculinos o gerentes masculinos.

Nuestra posición es la intransigencia total ante cualquier forma de violencia contra la mujer en sus diversas formas de expresión.

Brasil ocupa el 5to. lugar en el ranking de países con las tasas más altas de violencia contra la mujer. Según el Mapa de la violencia 2015 – Homicidios de mujeres en Brasil (WAISELFISZ, 2015), las mujeres jóvenes, pobres y negras son las víctimas prioritárias.

Este indicador es alarmante, pero muestra que la política de genocidio de nuestro pueblo y el exterminio de nuestras fuerzas se da también a través de la violencia que ocurre en el hogar, a través de las muertes generalmente cometidas por parejas íntimas y personas cercanas; revela la persistencia de la violencia contra nosotras como mujeres.

El control del cuerpo femenino y de las mujeres se basa en el patriarcado, en el capitalismo y en el racismo, y sustenta las desigualdades, las jerarquías y los privilegios que destruyen a las mujeres y a toda nuestra gente.

No lo aceptaremos más.

No podemos soportarlo más.

Nos unimos para defender la vida, para defendernos juntas, para cuidarnos unas a las otras, para defender la infancia, la libertad de los cuerpos y de los pensamientos.

Si estamos en la base de este sistema, que pisa sobre los cuerpos de las mujeres pobres de todo el mundo, tal vez podamos cambiar las cosas si nos movemos y decidimos hacerlo.

No guardaremos silencio y no toleraremos ningún tipo de justificación teórica o psicológica que justifique cualquiera de las diversas formas de violencia contra la mujer.

Asamblea Feminista Abya Yala

Pindorama, 30 de septiembre de 2019

Firman este Manifiesto:

Escola Feminista Abya Yala

Revista Amazonas 

Núcleo Pele

Sexualidade Aflorada

A Bordar Espaço Terapêutico

T.ar Raizes

Periferia em Movimento

Horta di Gueto

Escritureiras

Perifeminas

Coletiva Cendira

Aondê Natural 

NEARMEPOT ( Núcleo de Estudos Autônomo sobre a Racionalidade Médica dos Povos Originários e Tradicionais)

AMESOL- Associação de Mulheres da Economia Solidária

Feira Agroecológica e Cultural de Mulheres do Butantã

Revista Sampa Mundi

Equipe de Produção da FELIZS – Feira Literária da Zona Sul

Revelar.si – Coletivo de fotógrafas da comunidade do Coque, Recife, PE.


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